domingo, 28 de agosto de 2011

Cheguei à conclusão de que tenho sérios problemas com a estratégia de trabalhar com políticas públicas. Não se trata exatamente de um repúdio ao diálogo com o Estado, nem de algo que implique ignorância ou descaso.
É que o trabalho de formiguinha, de conquista lenta e de processos de convencimento e diálogo às vezes saturam. E são pouquíssimos produtivos em termos de mínimas mudanças de paradigma.
Não nego a importância de trabalhar na construção das políticas públicas (pelo contrário), nem muito menos nego sua relevância dentro de um estado democrático. 
O que eu nego é a radicalização que deixamos de respaldar e provocar. Nego que possamos trabalhar num sentido de alterar profundamente alguma coisa através deste caminho.
Acabo de voltar da III Conferência Regional de Mulheres de JP. Se, por um lado, fico feliz pela articulação e pela construção que resultou do nosso trabalho, por outro vejo nitidamente que essa construção é lenta e superficial.
Não se atinge nem de longe a profundidade necessária à provocação de uma mudança conjuntural. Nem mesmo temos a garantia do cumprimento das diretrizes formuladas. E olha que isso é apenas no que tange às políticas públicas voltadas para a emancipação das mulheres. É só um aspecto dentre vários outros aspectos.
Isso meio que cansa a mente. Tanto trabalho na problematização daquelas questões, e tanto ceticismo quanto à sua potencialidade de radicalizar alguma coisa.

Fiquei com a mente exausta.
Cada vez mais penso em pegar em armas e formar uma guerrilha.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

[...]
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Pra rua, pra rua

Vamos acabar com a burguesia
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo

A burguesia fede - fede, fede, fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês
[...]

[cazuza]
Toda vez que eu vejo essa foto, me dá um negócio no peito. Uma angústia, um sentimento quase que de vergonha. É como se essa criança me questionasse, me perguntasse quem eu penso que sou pra expressar algum sentimento ao vê-la chorando assim: O que é que eu tenho feito/não feito, e o que me faz pensar que eu tenho algum direito de sentir qualquer coisa de pena da sua dor.
É um olhar misterioso que me diz, bem, bem profundamente: 'Grande coisa, esse seu momento de angústia ao me ver assim. Engula seu altruísmo cristão, e que se dane o que você sente ou pensa a respeito do meu povo e da minha luta. Sua penosidade e (des)humanismo não me comovem, nem me libertam. Pelo contrário, eles me oprimem, retiram minha liberdade, me impedem de ser criança, de sorrir'.
Podia até ser só uma criança chorando.
Mas nenhuma criança apenas chorando jamais me olhou tão profunda e dilaceradamente assim, me deixando tão envergonhada e, ao mesmo tempo, enraivecida de mim mesma.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A arte de cada pessoa
segue o fluxo
do que se vive
ou do que se pretende viver
não vivendo.
A arte de cada pessoa
participa
da criação de um escudo
de um casulo
de um esconderijo
que não se pretende esconder
mas esconde.
A arte de cada pessoa
mostra devagarinho
aquilo que ela às vezes sente
mas mente.
E somente a arte é capaz
de libertar
aquilo que cada pessoa
pretende prender,
mas solta.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Mais uma da diplomacia norte-americana

Diplomata dos EUA causa revolta na Índia após dizer: 'sem banho eu fico suja e escura como vocês'

Maureen Chao, vice-cônsul dos Estados Unidos no estado indiano de Tamil Nadu, provocou uma crise diplomática após afirmar em uma escola de Chennai, capital do estado, que a falta de banho havia deixado a pele dela "suja e escura", como a dos indianos. Políticos locais pediram pelo afastamento imediato de Chao do consulado.
"Eu estava em uma viagem de trem de 24 horas de Nova Déli até Orissa [estado indiano localizado junto ao Golfo de Bengala]. No entanto, após 72 horas, o trem ainda não havia chegado ao seu destino...e minha pele ficou suja e escura como a de vocês", afirmou a diplomata, às gargalhadas, para uma classe de aula cheia de crianças.

Após o incidente, que provocou revolta na cidade, de acordo com o jornal local Hindustan Times, o consulado pediu desculpas por Chao por meio de um comunicado: "a Senhora Chao fez um comentário inapropriado. Ela se arrepende profundamente caso ele tenha ofendido alguém, pois essa não foi sua intenção".

Líderes políticos de Tamil Nadu não se contentaram com o pedido de desculpas. "É altamente condenável o que ela fez. Enquanto os tâmeis se destacam em diversas áreas, inclusive em tecnologia, surpreendendo até os norte-americanos, não podemos tolerar que uma funcionária do Departamento de Estado dos EUA fale dessa forma", afirmou ao Deccan Chronicle o doutor S. Ramadoss, fundandor do partido PMK.

[Opera Mundi]
Se é indicado, ou não,
Melhor encaixar dentro do pote
e analisar clinicamente se há reações adversas
Pondo, cuidadosamente, uma tarja preta
com dizeres obscuros, mas catalogáveis.
'E que essa vida entre assim, como se fosse o sol, desvirginando a madrugada. Quero sentir a dor dessa manhã...'.
Que coisa.

Mais duas de Latuff, só pra fechar:



Nunca é demais lembrar: Latuff estará no Festival Interdisciplinar de Artes e Cultura [FIASCU], organizado por vários coletivos e CA's da UFPB, em fins de setembro.
Participemos e prestigiemos.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011


Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior
Mas sei que nada é divino
Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é sagrado
Nada, nada é misterioso, não...

[belchior]

domingo, 14 de agosto de 2011

"E que fique muito mal explicado.
Não faço força para ser entendido.
Quem faz sentido é soldado".

[Quintana]

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ponderar.
Pode errar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mas a falta de sentido também faz sentido.
"Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípios contra manifestos (...). Eu redijo este manifesto para mostrar que é possível fazer as ações opostas simultaneamente, numa única fresca respiração; sou contra a ação pela contínua contradição, pela afirmação também, eu não sou nem para nem contra e não explico por que odeio o bom-senso"
(Tristan Tzara)




Sem sentido,
Se sente.
Sentido pra quê.