terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
(...)
No caso do Ensino Superior, em especial do ensino jurídico, um bacharel treinado em Direito, altamente especializado em direito processual civil, geralmente, é insuficientemente preparado para a análise de quadros de conjuntura social, política e econômica, ou mesmo para pensar a responsabilidade do exercício de sua função dentro do sistema. Nada impede que um bom operador do direito hoje, formado em uma boa e bem conceituada IES brasileira, seja autor de atitudes serenamente guiadas pelos mesmos princípios que levaram Rudolf Hess, Hermann Goering, Rudolf Hoess, Joseph Goebbels, Wilhelm Keitel, Himmler e Eichmann a cometerem as atrocidades que cometeram à frente da máquina nazista. A visão de gabinete, a compreensão de mundo auto-centrada, a idéia de responsabilidade restrita à dinâmica da responsabilidade do código de ética da categoria, a noção de mundo fixada pela orientação da ordem legal, a ação no cumprimento do ‘estrito’ dever legal... são rumos e nortes do agir do profissional bacharelado pelas escolas de direito que conhecemos.
(...)
Quem vive sob este modelo de educação não “recebe educação”, verdadeiramente, “padece educação”. A massificação que castra, que anula, que empobrece, que iguala o desigual cultural e criativamente falando, em verdade, comete o mais terrível dos erros: “E, quando julga que se salva seguindo as prescrições, afoga-se no anonimato nivelador da massificação, sem esperança e sem fé, domesticando e acomodado: já não é sujeito. Rebaixa-se a puro objeto. Coisifica-se.” (Paulo Freire).
Em poucas palavras, essa educação é a linguagem da própria dominação, e não condição para sua LIBERTAÇÃO.
(Bittar)
No caso do Ensino Superior, em especial do ensino jurídico, um bacharel treinado em Direito, altamente especializado em direito processual civil, geralmente, é insuficientemente preparado para a análise de quadros de conjuntura social, política e econômica, ou mesmo para pensar a responsabilidade do exercício de sua função dentro do sistema. Nada impede que um bom operador do direito hoje, formado em uma boa e bem conceituada IES brasileira, seja autor de atitudes serenamente guiadas pelos mesmos princípios que levaram Rudolf Hess, Hermann Goering, Rudolf Hoess, Joseph Goebbels, Wilhelm Keitel, Himmler e Eichmann a cometerem as atrocidades que cometeram à frente da máquina nazista. A visão de gabinete, a compreensão de mundo auto-centrada, a idéia de responsabilidade restrita à dinâmica da responsabilidade do código de ética da categoria, a noção de mundo fixada pela orientação da ordem legal, a ação no cumprimento do ‘estrito’ dever legal... são rumos e nortes do agir do profissional bacharelado pelas escolas de direito que conhecemos.
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Quem vive sob este modelo de educação não “recebe educação”, verdadeiramente, “padece educação”. A massificação que castra, que anula, que empobrece, que iguala o desigual cultural e criativamente falando, em verdade, comete o mais terrível dos erros: “E, quando julga que se salva seguindo as prescrições, afoga-se no anonimato nivelador da massificação, sem esperança e sem fé, domesticando e acomodado: já não é sujeito. Rebaixa-se a puro objeto. Coisifica-se.” (Paulo Freire).
Em poucas palavras, essa educação é a linguagem da própria dominação, e não condição para sua LIBERTAÇÃO.
(Bittar)
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Por que as coisas não são do jeito que a gente quer?
Por que o nosso "relacionar-se com as outras pessoas" não é do jeito que a gente quer?
Claro que, se assim fosse, não teria a menor graça.
Mas quem disse que tem que ser engraçado?
Engraçado mesmo é como a vida nos leva pra um caminho bem diferente do que a gente esperava.
E, nesse caminho, onde coisas inesperadas sempre acontecem, acabamos chegando em um ponto em que a gente se pergunta: e agora?
Pra quem tá acostumado a ter tudo planejado, a dançar conforme a música, e a cantar a letra de um modo bem afinado, parece que o mundo vai desabar (nada como terremotos e enchentes pra deixar isso bem claro).
E é nesse momento doido de incertezas que eu me encontro agora. Não só pelo fim do curso, que é mudança fenomenal na minha vida, mas pelo próprio momento simbólico que enseja uma mudança necessária.
E, na verdade, o problema é que essa mudança se refere a muitos aspectos.
Não é mais só aquela vozinha na minha consciência dizendo: Você tem que estudar Direito Positivo, decorar o código e não pensar mesmo, é o jeito!
Na verdade minha consciênca hoje em dia grita diversas outras coisas que, de repente, se mostram de uma maneira muito mais clara.
E assim, eu tou meio perdida.
E sem saber muito o que será desse ano de 2010.
Tou um saco hoje, o tédio em pessoa.
Por que o nosso "relacionar-se com as outras pessoas" não é do jeito que a gente quer?
Claro que, se assim fosse, não teria a menor graça.
Mas quem disse que tem que ser engraçado?
Engraçado mesmo é como a vida nos leva pra um caminho bem diferente do que a gente esperava.
E, nesse caminho, onde coisas inesperadas sempre acontecem, acabamos chegando em um ponto em que a gente se pergunta: e agora?
Pra quem tá acostumado a ter tudo planejado, a dançar conforme a música, e a cantar a letra de um modo bem afinado, parece que o mundo vai desabar (nada como terremotos e enchentes pra deixar isso bem claro).
E é nesse momento doido de incertezas que eu me encontro agora. Não só pelo fim do curso, que é mudança fenomenal na minha vida, mas pelo próprio momento simbólico que enseja uma mudança necessária.
E, na verdade, o problema é que essa mudança se refere a muitos aspectos.
Não é mais só aquela vozinha na minha consciência dizendo: Você tem que estudar Direito Positivo, decorar o código e não pensar mesmo, é o jeito!
Na verdade minha consciênca hoje em dia grita diversas outras coisas que, de repente, se mostram de uma maneira muito mais clara.
E assim, eu tou meio perdida.
E sem saber muito o que será desse ano de 2010.
Tou um saco hoje, o tédio em pessoa.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
A arte de ser feliz
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Cecília Meireles
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Cecília Meireles
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
A cada dia eu me decepciono mais com algumas pessoas.
Fico sem entender porque elas precisam tanto subir na vida às custas dos outros.
Isso pra mim é coisa de quem não se garante. De quem não vive por si só, e precisa sentir que os outros estão piores do que elas.
E ainda tem gente que é "lobo em pele de cordeiro".
Esses aí são os piores...
Quer saber? O negócio é cada um na sua, tocando sua própria vida.
Eu hein.
Fico sem entender porque elas precisam tanto subir na vida às custas dos outros.
Isso pra mim é coisa de quem não se garante. De quem não vive por si só, e precisa sentir que os outros estão piores do que elas.
E ainda tem gente que é "lobo em pele de cordeiro".
Esses aí são os piores...
Quer saber? O negócio é cada um na sua, tocando sua própria vida.
Eu hein.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
FORA ARRUDA e repressão
Mais de 2.000 pessoas participaram do ato contra a política corrupta do governo de Arruda e aliados/as no DF nesta manhã de quarta-feira. Após o meio dia, alguns/mas manifestantes iniciaram panfletagem entre os carros, paralizando as vias do eixo monumental. Além de um ato para agregar todas as pessoas que exigem o impeachment e punição para os/as deputados envolvidos no escândalo de propina do GDF, a manifestação teve como intuito 'parar a cidade', como meio de manter o clima de ingovernabilidade coerente com a indignação sentida pela população.
A polícia repreendeu o bloqueio das pistas de maneira brutal e despropositada. Além da PM, tropas de choque, Rocam, Polícia Canina, Cavalaria e um tanque de guerra estilo caveirão/brucutu, iniciaram uma ofensiva contra os/as manifestantes avançando contra o cordão humano com cerca de 200 pessoas, agredindo-as inclusive quando estavam na ilha que divide as pistas, ou seja, quando não estavam obstruindo o trânsito.
Mesmo estando desarmados/as e exercendo o direito de protesto em local público, os/as manifestantes foram atacados/as com cerca de uma dúzia de bombas de efeito moral, gas de pimenta, e pisoteados pelos cavalos. Várias pessoas estão feridas e três foram presas.Grupos de apoio já estão na 5a Delegacia de Polícia do DF para efetuar a soltura dos/as presos/as.
A polícia declarou a imprensa que a operação foi "perfeita". Vale lembrar que na ultima segunda feira policiais militares e bombeiros fizeram uma manifestação de apoio ao Arruda, carregando faixas com os dizeres "não se iluda, quem é Arruda não muda". A OAB irá analisar as imagens e para estudar a possibilidade de fazer denúncia contra o GDF no Ministério Público.
Fonte: Mídia Independente.
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