terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Visto a fantasia de Pierrot, no tom das tintas de Picasso, tento existir até a última pincelada. O que tem que ser feito, o que tem que ser vivido, o que é preciso para cantar. Mesmo que não se faça presente qualquer espécie de compreensão. A dor precisa ser escondida sob panos e cores, tintas e brilhos. Num samba embalado por tambores altos, num giro rasgante, veloz e confuso, sob um mar de pensamentos que se chocam e rodopiam, chacoalhando entre  serpentinas, letras, suores, dores, remédios, sorrisos. A culpa pelo tempo perdido se mistura com a sensação de 'ao menos isso', mesmo que os confetes jogados sejam difíceis de limpar. As cores de Picasso se entrecruzam, e misturam, ao mesmo tempo, tristeza, melancolia e frustração. 
Mas é carnaval. 
Amanhã tudo volta ao normal.
eu sou seresteiro, poeta e cantor
o meu tempo inteiro
só zombo do amor.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E sendo assim, a vida, uma corrida incessante,
Os planos atropelam-se pelo acelerar dos instantes
E o que resta é uma sobrevida desprovida de sentido
Que antes que se tome consciência
Já acabou o dia.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

como essa incongruência toda já foi um dia encanto?
um gato que late,
uma letra de sopinhas,
uma lanterna sombria,
um cano efervescente,
um jardim de raízes.
a cada instante, o ressoar dos sinos é certeiro:
está próximo.
a insistência é angustiante
e parece que não quero ouvir o badalo
quero apenas dançar ao som dos sinos sinistros.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

sabe quando já é 3 de janeiro e seu ano passado ainda não terminou?

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

é melhor
bruscamente conhecer, ficar ligeiramente puta, não verbalizar, endoidecer;
nunca vir a saber, ser ignorantemente feliz e festejar a mediocridade;
ou
desracionalizar todos os processos de confusão?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

poxa, tenho sentido falta de escrever aqui.
um cantinho escondido e aconchegante, que eu meio que tenho esquecido.
é tanta coisa em tão pouco tempo, que... que se bastam em serem mais que o bastante.
são questões objetivas, vínculos afetivos, vínculos políticos (sufocantes), vínculos de toda espécie, e até aqueles sem espécie alguma.
tudo de uma vez, fazendo bagunça e aperto.
'eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver'.
viver em si já é desventurante.
queria acordar mergulhada nas ondas do mar de 2012.
e são tantas marcas, que já fazem parte do que sou agora
mas ainda sei me virar

sábado, 19 de novembro de 2011

...] eu vi lágrimas naquele rosto. Vi, sim,
rosto de mulher. Ou quem sabe era homem? Não
dava pra dizer o certo. Mas chorava. Certeza, eu
só tive uma: era entendido. Entendido em sofri-
mento, em dor, em ser magoado, saber direitinho
o que é humilhação, vexame, até pancada.
Entendido em perder... Alguns perderam a digni-
dade; outros até a própria vontade de viver.
Entendido em preconceito no trabalho, nas ruas,
na família, na igreja. Entendido em AIDS.
Entendido em ouvir deboches na rua e caminhar
de cabeça baixa, tentando não ser notado. Ou
arrogantemente, com a cabeça erguida, olhando
desafiadoramente para as pessoas, disposto a
agredir antes de ser agredido... Entendido em
disfarces, mentiras. E muitas vezes quando olha
no espelho, não se vê homem nem tão pouco
mulher. E descobre que não é nada. Não é
homem nem mulher.

JULIO SEVERO
(escritor e membro de pastoral evangélica)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Um tempo nublado esconde as estrelas e as certezas.