sábado, 24 de setembro de 2011

Eu posso ter tido muitas outras paixões nesses vinte e poucos anos.
Posso até ter enlouquecido algumas vezes.
Mas nunca, em toda a minha existência, fui tão apaixonada pelo que a gente conhece como vida.
É algo um tanto inexplicável, mas perfeitamente possível de sentir.
Foi um encontro inesperado com uma forma de liberdade que eu jamais tive. Aquela liberdade genuína de ser e de pensar. De olhar pra qualquer lado e poder andar sem rumo.
É um quase mergulho num oceano vasto, grande, sem limites.
E eu não me esforço nem um pouco para nadar.
Apenas flutuo de qualquer jeito (do jeito que eu quero), e me deixo levar pelas ondas
(que agora são mansas e leves), num sábado de sol tranquilo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O mais trágico momento
é quando o poeta não tem tempo
de botal no papel, livre,
o mundo que ele vive.
E matuta, no caminho,
andando, devagarinho,
'É mesmo o tempo que corre,
ou é a gente que não se move?'
Às vezes não há portas
entradas
janelas
Há um telhado com claraboia
e uma calha meio solta
de onde ainda dá
pra ver o sol

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

em meio ao deserto quente
rasteja uma serpente
que decerto já entende
não haver mais saída

planejara, inconsequente,
a súbita partida
em busca de acolhida
na miragem proibida

mas o rastejar é lento
e, por pura culpa do vento,
a cada movimento,
sua rota foi alterando

e, em seu último momento,
quando o tempo vai acabando
e a miragem se desmanchando,
percebe que está voltando.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Há muita coisa podre nisso que a gente chama de gente.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Essa música é demais, demais.

Telefone [Tim Maia]

- Alô
- Alô
- Quem fala ?
- Sou eu, amor. Você não se lembra mais da minha voz ?
- Mas essa hora da manhã ?
- Ah, eu queria tanto te ver
- Às quatro horas da manhã ?
- Ah, eu não consigo dormir, eu preciso te ver

Eu bem que te avisei, pra não levar a sério
O nosso caso de amor, eu sempre fui sincero e você sabe muitobem
Eu bem que te avisei pra não levar a sério
O nosso caso de amor, eu sempre fui sincero e você sabe muitobem
Eu não te prometi nada
Não venha me cobrar por esse amor
Pois esse sentimento eu não tenho pra te dar

Sinto muito em te dizer, vê se tenta esquecer
Os momentos que passamos que juntinhos nos amamos
Leve um beijo e adeus

'A harmonia secreta da desarmonia: quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas aéreas piruetas - escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio'.

[Lispector]

Esqueci de homenagear o MCdia Feliz.


domingo, 28 de agosto de 2011

Cheguei à conclusão de que tenho sérios problemas com a estratégia de trabalhar com políticas públicas. Não se trata exatamente de um repúdio ao diálogo com o Estado, nem de algo que implique ignorância ou descaso.
É que o trabalho de formiguinha, de conquista lenta e de processos de convencimento e diálogo às vezes saturam. E são pouquíssimos produtivos em termos de mínimas mudanças de paradigma.
Não nego a importância de trabalhar na construção das políticas públicas (pelo contrário), nem muito menos nego sua relevância dentro de um estado democrático. 
O que eu nego é a radicalização que deixamos de respaldar e provocar. Nego que possamos trabalhar num sentido de alterar profundamente alguma coisa através deste caminho.
Acabo de voltar da III Conferência Regional de Mulheres de JP. Se, por um lado, fico feliz pela articulação e pela construção que resultou do nosso trabalho, por outro vejo nitidamente que essa construção é lenta e superficial.
Não se atinge nem de longe a profundidade necessária à provocação de uma mudança conjuntural. Nem mesmo temos a garantia do cumprimento das diretrizes formuladas. E olha que isso é apenas no que tange às políticas públicas voltadas para a emancipação das mulheres. É só um aspecto dentre vários outros aspectos.
Isso meio que cansa a mente. Tanto trabalho na problematização daquelas questões, e tanto ceticismo quanto à sua potencialidade de radicalizar alguma coisa.

Fiquei com a mente exausta.
Cada vez mais penso em pegar em armas e formar uma guerrilha.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

[...]
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Pra rua, pra rua

Vamos acabar com a burguesia
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo

A burguesia fede - fede, fede, fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês
[...]

[cazuza]