quinta-feira, 28 de junho de 2012
"Era preciso que eu soubesse respeitar essa
liberdade. Sentia o meu carinho atacado violentamente, mas havia a
imensa gratidão pela brutalidade da franqueza. Ainda hoje o meu
agradecimento vai para o homem que nunca me ofendeu com a piedade".
[Pagu, sobre Oswald de Andrade, seu então marido, com o qual mantinha um relacionamento aberto, sem cobranças e sem juizos morais, com, todavia, um sentimento de tristeza pelo desprezo com o qual se voltava para ela, sendo profundamente sincero sobre suas aventuras sexuais].
[Pagu, sobre Oswald de Andrade, seu então marido, com o qual mantinha um relacionamento aberto, sem cobranças e sem juizos morais, com, todavia, um sentimento de tristeza pelo desprezo com o qual se voltava para ela, sendo profundamente sincero sobre suas aventuras sexuais].
terça-feira, 26 de junho de 2012
domingo, 29 de abril de 2012
POR QUE INCOMODA TANTO A NOSSA AUTONOMIA?
Eu não consigo entender
Essa tal filosofia
Que me impede de fazer
Aquilo que eu pretendia
Que me chama de bandida,
Que me deixa oprimida,
Que me nega autonomia.
Sou uma mulher muito forte
Vivo a vida dirigindo
E assuntos de toda sorte,
Estou sempre decidindo.
Só que quando é sobre mim,
Sobre meu corpo e meu fim
Há o mundo me impedindo.
Eu custei a entender
Que a liberdade é negada
A toda e qualquer mulher
Que não quer ser sujeitada
Que abre a boca e grita
Que ‘nunca será bandida’
Por uma decisão tomada.
Já fui criminalizada
Tive a face apedrejada
Só por tentar exercer
O direito que penso ter
De cessar minha gravidez
De modo seguro e cortês
Sem ser presa nem morrer.
Mas não há cidadania
Há apenas sujeição
Pra aquela que contraria
Moral e religião
É como se a biologia
Fosse a ideologia
Que embasa a Criação.
Minhas companheiras morreram
Em abortos clandestinos
E se não tivessem partido
Quais seriam seus destinos?
A morte de coração
Dentro de qualquer prisão
Por julgamentos divinos.
Nós, mulheres, precisamos
Pensar coletivamente
Que a guerra que enfrentamos
No passado e no presente
É o quadro cultural
Machista e patriarcal
Que ainda é evidente
Quero poder decidir
Sobre minha vida e meu corpo
Ter liberdade de agir
De optar pelo aborto
De modo decente e seguro
Sem estar em cima do muro
E sem ver o meu corpo morto.
Exijo dignidade
Poder ter cidadania
Tendo a possibilidade
De uma existência sadia
Mas me pergunto, num canto,
Por que incomoda tanto
A nossa autonomia?
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Visto a fantasia de Pierrot, no tom das tintas de Picasso, tento existir até a última pincelada. O que tem que ser feito, o que tem que ser vivido, o que é preciso para cantar. Mesmo que não se faça presente qualquer espécie de compreensão. A dor precisa ser escondida sob panos e cores, tintas e brilhos. Num samba embalado por tambores altos, num giro rasgante, veloz e confuso, sob um mar de pensamentos que se chocam e rodopiam, chacoalhando entre serpentinas, letras, suores, dores, remédios, sorrisos. A culpa pelo tempo perdido se mistura com a sensação de 'ao menos isso', mesmo que os confetes jogados sejam difíceis de limpar. As cores de Picasso se entrecruzam, e misturam, ao mesmo tempo, tristeza, melancolia e frustração.
Mas é carnaval.
Amanhã tudo volta ao normal.
Mas é carnaval.
Amanhã tudo volta ao normal.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
como essa incongruência toda já foi um dia encanto?
um gato que late,
uma letra de sopinhas,
uma lanterna sombria,
um cano efervescente,
um jardim de raízes.
a cada instante, o ressoar dos sinos é certeiro:
está próximo.
a insistência é angustiante
e parece que não quero ouvir o badalo
quero apenas dançar ao som dos sinos sinistros.
um gato que late,
uma letra de sopinhas,
uma lanterna sombria,
um cano efervescente,
um jardim de raízes.
a cada instante, o ressoar dos sinos é certeiro:
está próximo.
a insistência é angustiante
e parece que não quero ouvir o badalo
quero apenas dançar ao som dos sinos sinistros.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
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