terça-feira, 27 de dezembro de 2011

é melhor
bruscamente conhecer, ficar ligeiramente puta, não verbalizar, endoidecer;
nunca vir a saber, ser ignorantemente feliz e festejar a mediocridade;
ou
desracionalizar todos os processos de confusão?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

poxa, tenho sentido falta de escrever aqui.
um cantinho escondido e aconchegante, que eu meio que tenho esquecido.
é tanta coisa em tão pouco tempo, que... que se bastam em serem mais que o bastante.
são questões objetivas, vínculos afetivos, vínculos políticos (sufocantes), vínculos de toda espécie, e até aqueles sem espécie alguma.
tudo de uma vez, fazendo bagunça e aperto.
'eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver'.
viver em si já é desventurante.
queria acordar mergulhada nas ondas do mar de 2012.
e são tantas marcas, que já fazem parte do que sou agora
mas ainda sei me virar

sábado, 19 de novembro de 2011

...] eu vi lágrimas naquele rosto. Vi, sim,
rosto de mulher. Ou quem sabe era homem? Não
dava pra dizer o certo. Mas chorava. Certeza, eu
só tive uma: era entendido. Entendido em sofri-
mento, em dor, em ser magoado, saber direitinho
o que é humilhação, vexame, até pancada.
Entendido em perder... Alguns perderam a digni-
dade; outros até a própria vontade de viver.
Entendido em preconceito no trabalho, nas ruas,
na família, na igreja. Entendido em AIDS.
Entendido em ouvir deboches na rua e caminhar
de cabeça baixa, tentando não ser notado. Ou
arrogantemente, com a cabeça erguida, olhando
desafiadoramente para as pessoas, disposto a
agredir antes de ser agredido... Entendido em
disfarces, mentiras. E muitas vezes quando olha
no espelho, não se vê homem nem tão pouco
mulher. E descobre que não é nada. Não é
homem nem mulher.

JULIO SEVERO
(escritor e membro de pastoral evangélica)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Um tempo nublado esconde as estrelas e as certezas.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tenho gostado de deixar minha vida mergulhada em pendências,
que é pra não ter nunca certeza
das besteiras que eu faço.

domingo, 16 de outubro de 2011

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

[F. Pessoa]

sábado, 15 de outubro de 2011

Ninguém é mais escravo do que aquele que, falsamente, acredita ser livre [Goethe].

domingo, 9 de outubro de 2011

Às vezes digo o que eu não quero por pura necessidade de racionalização.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

ARTE PARA RESISTIR



Eu tenho corrido o mundo
Gritado e levado pedrada
Sem lenço, sem meios, sem fundos
Sem terra, sem teto, sem nada
O meu louco anseio profundo
É que minha voz seja, enfim, escutada
E esse encargo, de pronto, eu assumo
Minha boca não vai ser calada.

Mas, em meio a esse duro processo,
De grito, de voz calejada,
Percebo, só teremos sucesso,
Se esta luta também for cantada!
Em versos, em rimas e em sonhos,
Em letras tão inacabadas
Meu grito será bem mais forte
Se as estrofes estiverem rimadas

As bandeiras, eu irei pintando,
E o ritmo estarei seguindo
Em quadrinhos, tirinhas e panos
A crítica vai, então, surgindo
As lutas irão se encaixando
Os paradigmas, vamos destruindo,
Os planos, iremos traçando
Em um samba, que não desafino.

Criatividade é, em parte,
Uma tática de inteligência
É a luta imitando a arte
Diante da nossa vivência
Não segue a ordem e o progresso
Nem as técnicas da ciência
É um grito pelo regresso
Da arte como resistência.

sábado, 24 de setembro de 2011

Eu posso ter tido muitas outras paixões nesses vinte e poucos anos.
Posso até ter enlouquecido algumas vezes.
Mas nunca, em toda a minha existência, fui tão apaixonada pelo que a gente conhece como vida.
É algo um tanto inexplicável, mas perfeitamente possível de sentir.
Foi um encontro inesperado com uma forma de liberdade que eu jamais tive. Aquela liberdade genuína de ser e de pensar. De olhar pra qualquer lado e poder andar sem rumo.
É um quase mergulho num oceano vasto, grande, sem limites.
E eu não me esforço nem um pouco para nadar.
Apenas flutuo de qualquer jeito (do jeito que eu quero), e me deixo levar pelas ondas
(que agora são mansas e leves), num sábado de sol tranquilo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O mais trágico momento
é quando o poeta não tem tempo
de botal no papel, livre,
o mundo que ele vive.
E matuta, no caminho,
andando, devagarinho,
'É mesmo o tempo que corre,
ou é a gente que não se move?'
Às vezes não há portas
entradas
janelas
Há um telhado com claraboia
e uma calha meio solta
de onde ainda dá
pra ver o sol

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

em meio ao deserto quente
rasteja uma serpente
que decerto já entende
não haver mais saída

planejara, inconsequente,
a súbita partida
em busca de acolhida
na miragem proibida

mas o rastejar é lento
e, por pura culpa do vento,
a cada movimento,
sua rota foi alterando

e, em seu último momento,
quando o tempo vai acabando
e a miragem se desmanchando,
percebe que está voltando.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Há muita coisa podre nisso que a gente chama de gente.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Essa música é demais, demais.

Telefone [Tim Maia]

- Alô
- Alô
- Quem fala ?
- Sou eu, amor. Você não se lembra mais da minha voz ?
- Mas essa hora da manhã ?
- Ah, eu queria tanto te ver
- Às quatro horas da manhã ?
- Ah, eu não consigo dormir, eu preciso te ver

Eu bem que te avisei, pra não levar a sério
O nosso caso de amor, eu sempre fui sincero e você sabe muitobem
Eu bem que te avisei pra não levar a sério
O nosso caso de amor, eu sempre fui sincero e você sabe muitobem
Eu não te prometi nada
Não venha me cobrar por esse amor
Pois esse sentimento eu não tenho pra te dar

Sinto muito em te dizer, vê se tenta esquecer
Os momentos que passamos que juntinhos nos amamos
Leve um beijo e adeus

'A harmonia secreta da desarmonia: quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas aéreas piruetas - escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio'.

[Lispector]

Esqueci de homenagear o MCdia Feliz.


domingo, 28 de agosto de 2011

Cheguei à conclusão de que tenho sérios problemas com a estratégia de trabalhar com políticas públicas. Não se trata exatamente de um repúdio ao diálogo com o Estado, nem de algo que implique ignorância ou descaso.
É que o trabalho de formiguinha, de conquista lenta e de processos de convencimento e diálogo às vezes saturam. E são pouquíssimos produtivos em termos de mínimas mudanças de paradigma.
Não nego a importância de trabalhar na construção das políticas públicas (pelo contrário), nem muito menos nego sua relevância dentro de um estado democrático. 
O que eu nego é a radicalização que deixamos de respaldar e provocar. Nego que possamos trabalhar num sentido de alterar profundamente alguma coisa através deste caminho.
Acabo de voltar da III Conferência Regional de Mulheres de JP. Se, por um lado, fico feliz pela articulação e pela construção que resultou do nosso trabalho, por outro vejo nitidamente que essa construção é lenta e superficial.
Não se atinge nem de longe a profundidade necessária à provocação de uma mudança conjuntural. Nem mesmo temos a garantia do cumprimento das diretrizes formuladas. E olha que isso é apenas no que tange às políticas públicas voltadas para a emancipação das mulheres. É só um aspecto dentre vários outros aspectos.
Isso meio que cansa a mente. Tanto trabalho na problematização daquelas questões, e tanto ceticismo quanto à sua potencialidade de radicalizar alguma coisa.

Fiquei com a mente exausta.
Cada vez mais penso em pegar em armas e formar uma guerrilha.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

[...]
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Pra rua, pra rua

Vamos acabar com a burguesia
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo

A burguesia fede - fede, fede, fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês
[...]

[cazuza]
Toda vez que eu vejo essa foto, me dá um negócio no peito. Uma angústia, um sentimento quase que de vergonha. É como se essa criança me questionasse, me perguntasse quem eu penso que sou pra expressar algum sentimento ao vê-la chorando assim: O que é que eu tenho feito/não feito, e o que me faz pensar que eu tenho algum direito de sentir qualquer coisa de pena da sua dor.
É um olhar misterioso que me diz, bem, bem profundamente: 'Grande coisa, esse seu momento de angústia ao me ver assim. Engula seu altruísmo cristão, e que se dane o que você sente ou pensa a respeito do meu povo e da minha luta. Sua penosidade e (des)humanismo não me comovem, nem me libertam. Pelo contrário, eles me oprimem, retiram minha liberdade, me impedem de ser criança, de sorrir'.
Podia até ser só uma criança chorando.
Mas nenhuma criança apenas chorando jamais me olhou tão profunda e dilaceradamente assim, me deixando tão envergonhada e, ao mesmo tempo, enraivecida de mim mesma.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A arte de cada pessoa
segue o fluxo
do que se vive
ou do que se pretende viver
não vivendo.
A arte de cada pessoa
participa
da criação de um escudo
de um casulo
de um esconderijo
que não se pretende esconder
mas esconde.
A arte de cada pessoa
mostra devagarinho
aquilo que ela às vezes sente
mas mente.
E somente a arte é capaz
de libertar
aquilo que cada pessoa
pretende prender,
mas solta.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Mais uma da diplomacia norte-americana

Diplomata dos EUA causa revolta na Índia após dizer: 'sem banho eu fico suja e escura como vocês'

Maureen Chao, vice-cônsul dos Estados Unidos no estado indiano de Tamil Nadu, provocou uma crise diplomática após afirmar em uma escola de Chennai, capital do estado, que a falta de banho havia deixado a pele dela "suja e escura", como a dos indianos. Políticos locais pediram pelo afastamento imediato de Chao do consulado.
"Eu estava em uma viagem de trem de 24 horas de Nova Déli até Orissa [estado indiano localizado junto ao Golfo de Bengala]. No entanto, após 72 horas, o trem ainda não havia chegado ao seu destino...e minha pele ficou suja e escura como a de vocês", afirmou a diplomata, às gargalhadas, para uma classe de aula cheia de crianças.

Após o incidente, que provocou revolta na cidade, de acordo com o jornal local Hindustan Times, o consulado pediu desculpas por Chao por meio de um comunicado: "a Senhora Chao fez um comentário inapropriado. Ela se arrepende profundamente caso ele tenha ofendido alguém, pois essa não foi sua intenção".

Líderes políticos de Tamil Nadu não se contentaram com o pedido de desculpas. "É altamente condenável o que ela fez. Enquanto os tâmeis se destacam em diversas áreas, inclusive em tecnologia, surpreendendo até os norte-americanos, não podemos tolerar que uma funcionária do Departamento de Estado dos EUA fale dessa forma", afirmou ao Deccan Chronicle o doutor S. Ramadoss, fundandor do partido PMK.

[Opera Mundi]
Se é indicado, ou não,
Melhor encaixar dentro do pote
e analisar clinicamente se há reações adversas
Pondo, cuidadosamente, uma tarja preta
com dizeres obscuros, mas catalogáveis.
'E que essa vida entre assim, como se fosse o sol, desvirginando a madrugada. Quero sentir a dor dessa manhã...'.
Que coisa.

Mais duas de Latuff, só pra fechar:



Nunca é demais lembrar: Latuff estará no Festival Interdisciplinar de Artes e Cultura [FIASCU], organizado por vários coletivos e CA's da UFPB, em fins de setembro.
Participemos e prestigiemos.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011


Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior
Mas sei que nada é divino
Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é sagrado
Nada, nada é misterioso, não...

[belchior]

domingo, 14 de agosto de 2011

"E que fique muito mal explicado.
Não faço força para ser entendido.
Quem faz sentido é soldado".

[Quintana]

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ponderar.
Pode errar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mas a falta de sentido também faz sentido.
"Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípios contra manifestos (...). Eu redijo este manifesto para mostrar que é possível fazer as ações opostas simultaneamente, numa única fresca respiração; sou contra a ação pela contínua contradição, pela afirmação também, eu não sou nem para nem contra e não explico por que odeio o bom-senso"
(Tristan Tzara)




Sem sentido,
Se sente.
Sentido pra quê.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O espiritismo embranqueceu a cultura afro do candomblé. Não é mais o negro-pobre-caboclo, é o branco-intelectual-espírita.
Às vezes a vida fica exatamente assim:
Uma cestinha cheia de novelos de lã coloridos e sobrepostos uns aos outros.
Tudo enrolado em si e, ao mesmo tempo, emaranhado externamente, numa distribuição sem nexo algum.
Alguns destacam-se mais, outros menos. Os de cores opacas nos deixam angustiados, os de cores vivas, alegram.
Os escuros nos fazem refletir um pouco mais (a escuridão muitas vezes é um negócio bom danado... dá até vontade de demorar mais nela, porque ali a gente meio que se esconde).
Tudo na sua perfeita e complexa contradição. Porque essa é uma daquelas confusões que fazem sentido.
O problema é quando o gato-persa pula na cesta e balança, sacode, mistura. Êta danado, aí lasca tudo.
Você fica perdida, ali no meio de um monte de fio enrolado, com cara de nó-cego, que nem o maior dos escoteiros consegue desatar. Mesmo que você não tenha esquecido as regras e tenha estado constantemente "sempre alerta", você não tem muita culpa. Os gatos fazem isso. Eles são terríveis.
As cores misturaram-se todas, as mais importantes caem no fundo, as irrelevantes ficam em cima, as mais-ou-menos caem da cesta. E tá feito o carnaval. Pena que é julho e não fevereiro.
E tem mais essa: a idade aumentou.
Em breve você precisará utilizar esses mesmos novelos de lã para tricotar na sua cadeira de balanço.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Há tristeza no Brasil e no mundo. Mas da minha janela vejo uma cerejeira toda florida.
A natureza, mesmo ferida, ainda gosta de nós.
E de graça.

(Leonardo Boff)

terça-feira, 26 de julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Madame Cézanne me pareceu uma pessoa bastante infeliz.
Seus vários retratos à óleo, pintados por seu marido, traduzem uma melancolia tão profunda, que chega a ser impossível imaginá-la sorrindo.
É bem provável que houvesse nela uma desejo íntimo e secreto de manifestar-se artisticamente. De tomar as tintas de seu esposo fracassado (Paul Cézanne só atingiu a maturidade e o reconhecimento artístico no fim de sua carreira), rasgar as telas em que era retratada, e pintá-las, ela mesma, em cores vivas e contrastantes (nem mesmo a poltrona amarela lhe dera vida).
Possivelmente, Madame Cézanne não tivera escolha, não lhe restara qualquer lampejo de esperança. O brilho nos olhos lhe fora tolhido após o episódio mais transformador de sua vida: aquele que a fez 'Madame'.
Ser Madame provavelmente a impedira de tocar em tintas e telas.
De sonhar, de criar, de ser.
E, assim, no lugar de pintar quadros brilhantes, mergulhada em cores e sonhos, num mundo imaginário e delirante, que seria unicamente seu, Madame Cézanne tornara-se modelo, objeto de perspectiva, matéria-prima, natureza morta.




sexta-feira, 22 de julho de 2011

Odeio dar satisfações:
Odeio ter que explicar-me para deixar alguém satisfeito.

A tonga da mironga do kabuletê

Eu caio de bossa
Eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa
Xingando em nagô

Você que ouve e não fala
Você que olha e não vê
Eu vou lhe dar uma pala
Você vai ter que aprender
A tonga da mironga do kabuletê
A tonga da mironga do kabuletê
A tonga da mironga do kabuletê

(Vinícius e Toquinho)


Marchas chilenas reivindicando reformas radicais na educação: 80 mil manifestantes, entre estudantes e trabalhadores, fortemente reprimidos, como manda o cerimonial. No corpo, a força política da mobilização. Na mente, a crença no poder popular. Como resultado: a tremedeira das pernas da direita liberal.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Olhe Aqui, Mr. Buster

Olhe aqui, Mr. Buster: está muito certo
Que o Sr. tenha um apartamento em Park Avenue e uma casa em Beverly Hills.
Está muito certo que em seu apartamento de Park Avenue
O Sr. tenha um caco de friso do Partenon, e no quintal de sua casa em Hollywood
Um poço de petróleo trabalhando de dia para lhe dar dinheiro e de noite para lhe dar insônia
Está muito certo que em ambas as residências
O Sr. tenha geladeiras gigantescas capazes de conservar o seu preconceito racial
Por muitos anos a vir, e vacuum-cleaners com mais chupo
Que um beijo de Marilyn Monroe, e máquinas de lavar
Capazes de apagar a mancha de seu desgosto de ter posto tanto dinheiro em vão na guerra da Coréia.
Está certo que em sua mesa as torradas saltem nervosamente de torradeiras automáticas
E suas portas se abram com célula fotelétrica. Está muito certo
Que o Sr. tenha cinema em casa para os meninos verem filmes de mocinho
Isto sem falar nos quatro aparelhos de televisão e na fabulosa hi-fi
Com alto-falantes espalhados por todos os andares, inclusive nos banheiros.
Está muito certo que a Sra. Buster seja citada uma vez por mês por Elsa Maxwell
E tenha dois psiquiatras: um em Nova York, outro em Los Angeles, para as duas "estações" do ano.
Está tudo muito certo, Mr. Buster - o Sr. ainda acabará governador do seu estado
E sem dúvida presidente de muitas companhias de petróleo, aço e consciências enlatadas.
Mas me diga uma coisa, Mr. Buster
Me diga sinceramente uma coisa, Mr. Buster:
O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha?
O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal?
O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?



(Vinícius de Moraes)

domingo, 17 de julho de 2011

Confusão, confusão.
É áspera e silenciosa.
Não mostra fins de túneis, mas frias e angustiantes impressões.
Parece que não existe resposta para a sua pergunta.
Nem mesmo as perguntas têm dimensão do que pretendem perguntar.
Porque até isso está confuso.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O problema é que a gente espera demais.
E quem espera não vai.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Me irrita bastante o desejo do saber.
Me irrita o desperdício.
E a perda de tempo.
O desconhecimento.
A imaginação.
Me irrita saber, quando jamais deveria,
o que não adianta.
Me irrita a minha tolerância.
Pretendo transformá-los todos em indiferença.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Se perguntarmos a um garotinho de dez anos de idade como ele se imagina aos trinta anos, ele provavelmente responderá que se vê como um grande médico, ou como um grande astro do futebol. Se fizermos a mesma pergunta a uma garotinha da mesma faixa etária, ela pode até responder que será médica, ou modelo, mas provavelmente enfatizará o desejo de, aos trinta anos, estar casada, possuir uma bela casa e, quem sabe, lindos filhos. Se, aos trinta anos, essas duas crianças, já crescidas, não tiverem se casado, a mulher possivelmente será médica e estará preocupadíssima com a probabilidade de tornar-se solteirona e de passar da idade para casar e ter filhos. E o homem, enfatize-se, possivelmente apenas será médico.

domingo, 3 de julho de 2011

Não sei o que é mais genial:

Isso:

Você bagunçou meu coração
Tirou ele do peito
E sacudiu pela calçada
Pisou em cima
E esmagou minha razão
Eu já não era muito
E agora não sou mais nada.
Você fez de mim o que queria
Tirou minha alegria
Desmanchou o meu viver
Fez um buraco
Dentro da minha saudade
Fez uma tampa de pedra
P'reu nunca mais te esquecer

Ou isso:

Ela dançando e balançando os cachos
Que meus cento e vinte baixos
Quase viram um pé-de-bode
Do lado dela um sujeito sem jeito
E eu aqui com dor no peito
Mas como é que pode
Tava tocando um baião cheio de dedo
Quando dei fé tava tocando Chopin
Menina você vai me dando asa
Que eu levo você pra casa
E a gente faz um monte de tamboretim

(Tudin de Santanna)

sábado, 2 de julho de 2011

Quase metade das mulheres já sofreu violência doméstica no Brasil

Em pesquisa sobre violência doméstica, divulgada nesta terça-feira, pelo Instituto Avon e pela Ipsos, revela que 47% das mulheres confessaram que já foram agredidas fisicamente dentro de casa. O levantamento "Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil" revelou ainda que, na região Centro-Oeste do país, o medo de ser morta é o principal motivo das mulheres agredidas não abandonarem os seus agressores. O motivo foi apontado por 21% das entrevistadas na região. Nos estados do Sudeste, o medo de ser morta caso rompa a relação chega a 15%. No Sul, 16%. O Nordeste tem o menor índice: 13%. O estudo também mostrou que o alcoolismo e o ciúme são os principais motivos da agressão à mulher. - É uma vergonha a mulher não sair de casa porque podem ser mortas. Ciúme não é paixão. É algo mais complexo. O homem acha que tem posse da mulher. E a sociedade machista é um problema porque acha que a mulher não tem direito à autoestima e nem pode falar, se manifestar - comenta a socióloga Fátima Jordão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão, Ong que defende os direitos da mulher.

Entre as mulheres agredidas no país, 15% apontam que são forçadas a fazer sexo com o companheiro. Os homens também admitem que já agrediram fisicamente as mulheres: 38%. Além de ciúmes e alcoolismo, eles confessam que já bateram nas companheiras sem motivo (12% das razões apontadas). A falta de dinheiro para viver sem o companheiro também é um motivo apontado pelas mulheres que não largam os seus agressores (25%). O estudo mostrou que a sociedade não confia na proteção jurídica e policial nos casos de violência doméstica. Essa é a percepção de 59% das mulheres e de 48% dos homens. - Denunciar depende da coragem da mulher. O número de denúncias feitas ainda é pequeno em relação à violência que existe. Isso acontece porque as políticas públicas, que incluem delegacias especializadas e centros de referência, para que a mulher confie e vá denunciar ainda estão aquém da necessidade - diz Maria da Penha Fernandes, que teve a história de vida como inspiração na criação da Lei Maria da Penha, que completará cinco anos em vigor. Em 1983, Maria da Penha ficou paraplégica após levar um tiro do marido.

Atualmente, o país tem 388 delegacias especializadas no atendimento à mulher, 70 juizados de violência doméstica, 193 centros de referência de atendimento à mulher e 71 casas para abrigo temporário. A pesquisa foi feita em 70 municípios brasileiros, com 1.800 homens e mulheres, entre 31 de janeiro e 10 de fevereiro. Para relatar a violência vivenciada, os entrevistados responderam um questionário sigiloso e devolveram o envelope lacrado.


A reportagem é do site O Globo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O bom da vida é o mistério.
Nada tem graça sem aquela coisinha duvidosa do 'será?'.
Bom mesmo é não saber. E ficar pensando.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Nunca mais inscrivinhei
Umas tar de poesia
Nem cantei minhas melodia
Pra mó deu relaxá

Nunca mais eu me sentei
Pra quetá, durante o dia,
Numa boa companhia
E botei pra proseá

O tempo corre com a gôta
Parece que tá fugino
E a gente tudo sintino
Que o dia vai se acabá

E eu fico me abestaiano
O tempo tá desimbestano
Já vai se acabá-se o ano,
E eu num vou me tocá!
Pela sua cabeleira, vermelha
Pelos raios desse sol, lilás
Pelo fogo do seu corpo, centelha
Belos raios desse sol


Apenas apanhei na beira-mar
Um táxi pra estação lunar



(táxi lunar)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

E daí, Onório?
Vô nem me importá
Com os falatório
Milhó ir simbora
Sem se prercupá
Se tá ou num tá na hora!

quarta-feira, 22 de junho de 2011


[...] mas que é engraçado, é.
Faz tempo
Muito tempo

Que não acordo leve,
sem hora,
Levada pelo som da chuva,
lá fora.
Que não abro minha janela e,
me abrindo,
Abro todo o meu peito,
sentindo.
Os passarinhos no telhado,
O pé de limão,
As flores brancas, azuis,
O pinhão.

Fez tempo
Muito tempo

Que evito a felicidade,
Assim,
Calma e tranquila,
só pra mim.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Eu desconfio muito do que aparenta ser exato.
A ausência de mácula é um terrível sinal de que não é isso que... tudo.
Algo de muito obscuro ofusca a clara presença de um equívoco de inigualável exatidão e certeza que, certamente, se pretende omitir.
E eu guardo muita incerteza com relação à certeza. Muita surpresa com relação ao súbito encaixe, dentro daquele complexo emaranhado de peças desproporcionalmente desencaixantes.
Parece que alguma coisa não está no lugar e, de repente, supõe-se possível sua relocação, sob um trágico risco de que ela simplesmente, ali, não caia bem.
De qualquer maneira, me parece extremamente perigosa a idéia certa de que é simplesmente isso. Essa claridade de idéias me causa um certo pânico.
E é muito, muito complicado.
Uma superfície lisa demais sempre proporciona o aumento dos deslizes.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Deuteronômio 22, 13-15: Se um homem se casa com uma mulher e começa a detestá-la depois de ter tido relações com ela, acusando-a de atos vergonhosos, deve difamá-la publicamente, dizendo: ‘Casei-me com esta mulher mas, quando me aproximei dela, descobri que não era virgem, o pai e a mãe da jovem pegarão a prova da virgindade dela e levarão a prova aos anciãos da cidade para que julguem o caso.


Deuteronômio 24, 1: Quando um homem se casa com uma mulher e consuma o matrimônio, se depois ele não gostar mais dela, por ter visto nela alguma coisa inconveniente, escreva para ela um documento de divórcio e o entregue a ela, deixando-a sair de casa em liberdade.
Que as mulheres fiquem caladas nas assembléias, como se faz em todas as igrejas dos cristãos, pois não lhes é permitido tomar a palavra. Devem ficar submissas, como diz também a lei. Se desejam instruir-se sobre algum ponto, perguntem aos maridos em casa ; não é conveniente que a mulher fale nas assembléias. (1 Coríntios 14, 34-35)


Será que é errado que eu me manifeste nesse blog? Oh, nãaoo!!
A submissão de Eva não era nada mais do que a submissão que as esposas devem normalmente ter em relação a seus maridos. Existe, eu garanto, um fundamento na natureza para isso.
[J. Locke]
Todas as mulheres são um tipo especial de "servas" na sociedade civil.
Isto é, são "esposas"
[T. Hobbes].

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"O meu olhar é nítido como um girassol.
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...

Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como um malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender..."

(Fernando Pessoa,
que hoje faria 123 anos).

PM de Pernambuco orienta soldados gays sobre benefícios da união estável

PMs de Pernambuco agora têm
orientação sobre direitos gays

O reconhecimento da união estável para casais de mesmo sexo feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no mês passado tem rendido frutos até mesmo nos setores mais conservadores, como no caso da Polícia Militar de Pernambuco, que está com um novo serviço para seus militares: assessoria jurídica sobre o quê muda com a decisão do STF.

Primeira do tipo a fazer isso, a Associação dos Militares de Pernambuco (AME) está oferecendo a seus militares homossexuais um auxílio jurídico para quem quer saber mais sobre como incluir o parceiro no plano de saúde e como garantir pensão no caso de morte, para citar os dois exemplos mais comuns.

Segundo a AME, já são 11 os soldados que já acionaram o serviço de auxílio. Mas ainda um pouco tímidos: oito foram pelo telefone (81) 3423-9312 e apenas três pessoalmente na sede da AME, que fica na Rua Feliciano Gomes, 304 - Derby. Um deles já vive com o companheiro há 10 anos e pediu, no mês passado ao Comando Geral da Polícia Militar de Pernambuco, para incluí-lo em seu plano de assistência médica.

Quem quer usufruir de algum benefício acarretado com a decisão do STF deve enviar à AME a documentação que comprova a relação estável de mais de dois anos.

(Mix Brasil)
Parece
que, às vezes,
A gente olha pra frente
E sente
Que o que a gente entendia
Era insuficiente
Pra ver
Como existem coisas
lá fora
e lá dentro
Que,
inconscientemente,
Mesmo que tarde,
Mesmo que breve,
Mesmo que de repente,
Podem surgir
E alterar
o giro do mundo
completamente.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Piada de Rafinha Bastos: Delegada se dispõe a mostrar estado de mulher violentada

A presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina São Paulo (CECF), delegada Rose Corrêa, disse em entrevista ao portal Comunique-se que se dispõe a esclarecer e orientar o humorista do CQC a respeito do trauma causado pelo estupro a uma mulher, após o humorista ter feito uma piada sobre o crime.

“Se ele nunca viu o estado que uma mulher fica depois de ter sido estuprada, eu me disponho a levá-lo em qualquer Delegacia de Proteção à Mulher para que ele veja de perto o que é isso, como é isso e não faça piadas com um assunto tão delicado.”

Em um de seus shows de comédia stand-up em São Paulo, o comediante proferiu a seguinte ‘piada’ – que foi citada em reportagem da revista Rolling Stone de maio deste ano: "Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço", disse o humorista.

Rose Corrêa critica ainda as palavras irreverentes usadas por Rafinha Bastos ao tratar do tema: “Essa forma de falar a respeito de um assunto tão sério mostra uma falta de senso, de cautela. Porque só quem viu o estado que uma mulher que é estuprada fica, sabe como é. E eu sei como é isso porque eu fui a fundadora da Primeira Delegacia da Mulher no Estado de São Paulo e atendia por 12, 13 horas diárias mulheres vítimas de estupro. Sabe, isso abala a estrutura da pessoa, destrói casamentos, marca demais a vida de quem passa por essa situação. Fora o constrangimento que a mulher passa em todo o processo”, reforça a delegada.

Repúdio

A polêmica declaração levou a Secretaria de Políticas para as Mulheres e o Conselho Estadual da Condição Feminina São Paulo a publicarem notas de repúdio contra as declarações do humorista.

Em seu pronunciamento, o CECF afirma que a piada feita por Rafinha Bastos é de conteúdo machista e preconceituoso, além de encorajar os homens a praticarem a violência contra a mulher, que na Constituição Brasileira, é considerada crime hediondo.

Rafinha se defende

Em contato com a nossa reportagem via e-mail nesta manhã, o apresentador afirmou o seguinte: “Se os comediantes tiverem que responder por toda piada que fazem, não vão ter tempo pra mais nada na vida. Nem pra fazer comédia".

Portal Comunique-se

terça-feira, 7 de junho de 2011

Tô enfiado na lama
É um bairro sujo
Onde os urubus têm casas
E eu não tenho asas.

(chico ciência, falando sobre a vida científica).

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Parece que foi ontem
que eu desci aquela escada
e toquei aquele sininho.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Conselho pune psicóloga que oferecia terapia para curar 'homossexualismo'

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) decidiu, nesta sexta-feira (31), aplicar uma censura pública à carioca Rozângela Alves Justino, psicóloga que oferecia terapia para curar o homossexualismo. Ela já havia sido condenada à censura pública no Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro em 2007. Resolução do CFP de 1999 proíbe os psicólogos de tratar a homossexualidade como doença, distúrbio ou perversão e de oferecer qualquer tipo de tratamento.

A terapeuta estava sujeita à suspensão do exercício profissional por 30 dias ou, até mesmo, à cassação do registro. Entretanto, os conselheiros decidiram, por unanimidade, que a censura pública era a medida mais adequada no caso. O advogado Paulo Fernando, contratado pela psicóloga, disse que vai recorrer na Justiça Federal contra a decisão do CFP.

A ABGLT fez representação junto ao conselho de ética do CRP do Rio, requerendo a cassação do registro de Rozângela. "Precisamos que essa senhora pare de atuar. Já temos, inclusive, notícias de outros profissionais que têm atuado de mesma forma que ela, principalmente ligados a religiões", apontou Igo Martini, presidente do Centro Paranaense de Cidadania, um das entidades filiadas a ABGLT.

A psicóloga, no entanto, não dá sinais de que parará tão cedo. "Com certeza, vou continuar. Vejo que as pessoas têm direito de procurar esse apoio. É a pessoa que define o quer dentro da psicoterapia. Não sinto vergonha e nunca sentirei de acolher pessoas que querem deixar voluntariamente o estado de homosseuxalidade", afirmou.

Em seu blog na internet, Rozângela, se diz perseguida pelo Conselho Federal de Psicologia, no que ela chama "Ditadura Gay". Para Rozângela, as pessoas não são homossexuais, mas "estão" homossexuais. Para defender sua tese, ela cita a classificação da Organização Mundial de Saúde que divide a orientação sexual em bem aceita/assumida pela pessoa (egossintônica) ou mal aceita (egodistônica). "Então, em pessoas cuja homossexualidade seja egodistônica, respeitando a motivação individual para efetuar as mudanças que elas mesmas desejarem, o estado homossexual é passível de mudança", escreve.

Para a militância LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), tal opinião contribui para o preconceito e a negação do homossexualismo tanto pela pessoa quanto pela família, ao postular que existe cura. "Esse tratamento é charlatanismo, pois tanto OMS quanto o Conselho Internacional de Psiquiatria declaram que o homossexualismo não é doença nem transtorno mental. Mesma coisa dizer que vai curar a Aids", fala Igo. "O sofrimento vem da pessoa não aceitar sua condição, não viver bem consigo mesma. Os homossexuais sofrem ainda mais por conta de profissionais como essa senhora e de religiosos que dizem que isso é pecado.

Fonte: Uol

MULHERES SÃO IGUAIS EM QUALQUER PROFISSÃO


DIA 02 de junho - DATA HISTÓRICA em todo o PLANETA... Acontece um dos mais importantes eventos populares de RESISTÊNCIA e AÇÃO CULTURAL:


O DIA INTERNACIONAL da PROSTITUTA.

Uma programação cultural, esportiva, holística, educacional e ambiental irá OCUPAR o ESPAÇO da rua da AREIA servindo como INSTRUMENTO de CONTRIBUIÇÃO, REFLEXÃO, ATITUDE e TRANSFORMAÇÃO em nossa SOCIEDADE. Uma realização da AGÊNCIA ENSAIO e da ASSOCIAÇÃO das PROSTITUTAS da PARAÍBA.

quando? dia 02 de junho (quinta-feira)
que horas? a partir das 19h07min
onde? rua da areia no centro histórico da cidade de joão pessoa
LIVRE - leve a sua família, seus amigos...
SEM JULGAMENTOS
Sabe essa coisa feliz aí embaixo que eu postei ontem?
ESQUEÇA!
Não tem otimismo que consiga agüentar os chutes e pontapés narcidêmicos (narciso + acadêmico).
Passou, passou. Evaporou qualquer sombra de pensamento positivo que eu tinha aqui. Lá se foram as nuvenzinhas e os ursinhos carinhosos.
Agora só tenho trevas e pensamentos maquiavélicos. Bater, estrangular, matar... são os verbos que passam pela minha cabeça nesse exato minuto.

Quero 'o caminho de volta pra casa'.
=(

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Tá ligado que parece que eu me tornei uma pessoa otimista, de verdade-verdadeira-mesmo?
Nem pareço eu, ó.
Eu saí de mim e virei uma pessoa assim. Do nada, foi só dizer que ia, e fui, sendo.
Um recorde para promessas de ano-novo. Merece menção no Guiness: "promessa mais impossível de ser cumprida na história da humanidade".
Não fico mais maldizendo a vida, nem fazendo planinhos malígnos, entrelaçando as mãos numa postura terivelmente maléfica...














Ou cutucando os meus bigodes do mal...


Há, de fato, alguns momentos estressantes.
Mas é diferente, é diferente.

terça-feira, 31 de maio de 2011

triste, alegre



"A felicidade num copo de bebida
Se a cerveja tá gelada, ela fica mais bonita!"

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Genialmente, Zizek:

“O capitalismo está na mesma situação do Coiote perseguindo o Papa-léguas. Ele já passou a linha do abismo, só falta ele olhar para baixo e ver que não está mais pisando no chão!”.

(!!!)

terça-feira, 24 de maio de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sabedoria de Susan Okin

As falhas por parte do pensamento político recente no sentido de considerar a família, e o uso de linguagem neutra em relação ao gênero, resultam, em conjunto, em uma contínua negligência, por parte dos teóricos das correntes hegemônicas, em relação ao tema profundamente político do gênero. A linguagem que eles empregam faz literalmente pouquíssima diferença no que eles fazem, que é escrever sobre homens, e sobre aquelas mulheres que conseguem, a despeito da estrutura de gênero da sociedade em que vivem, adotar padrões de vida que se desenvolveram adaptados aos homens. O fato de que os seres humanos nascem como crianças dependentes, não como os supostos atores autônomos que povoam as teorias políticas, é obscurecido pela pressuposição implícita de famílias generificadas, operando fora do âmbito das teorias políticas. Em grande medida, a teoria contemporânea, como no passado (ainda que de maneira menos óbvia), é sobre homens que têm esposas em casa.

domingo, 22 de maio de 2011

O canditado a governador sobe no palanque e diz:
- Neste bolso nunca entrou dinheiro do povo
Aí grita uma pessoa que assitia o comício:
- Calça nova, hein, doutor!

É muita cara de pau...

Obama asegura que ONU jamás creará Estado palestino independiente

El presidente de Estados Unidos Barack Obama aseguró este domingo ante grupos de presión pro-Israel en Washington que votos de la ONU jamás creará un Estado palestino independiente y reiteró que el compromiso de su país con la seguridad de Israel es "inquebrantable".

teleSUR

sábado, 21 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde. Mais poesia. Mais verdade. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro".
 (C. F. Abreu).
Alergia, alergia.
Acabam-se os lenços.
Ficam os documentos.
Alergia, alergia, alergia.
Se mudasse o r, seria alegria.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nos EUA, mãe perde guarda por aplicar botox na filha de 8 anos

(As mais variadas formas de violência e opressão).


Após admitir que havia aplicado botox na filha, a californiana Kerry Campbell perdeu a guarda da criança, de oito anos, de acordo com a rede de televisão norte-americana ABC. Além do tratamento estético -- feito pela mãe --, a menina passou por sessões de depilação com cera nas pernas para participar de um concurso de beleza infantil.

Desde sexta-feira (13/05), conforme informou a ABC, o Departamento de Saúde de São Francisco iniciou uma investigação contra Campbell. "É muito incomum que uma mãe injete botox em uma criança", afirmou Trent Rohrer, do órgão californiano, ao justificar a decisão de retirar a guarda da mãe.

Campbell e a filha, Britney, apareceram no programa televisivo "Good Morning America", da ABC, defendendo o uso da toxina em competições de beleza. "O mundo dos concursos é muito difícil. Eles julgam tudo e as crianças são duras", afirmou a mãe.

"Eu não acho que rugas sejam legais em meninas", disse Britney na ocasião. Ela admitiu que as injeções em seu rosto causavam dor, mas disse que havia se acostumado. As declaração da mãe e da criança causaram comoção nos Estados Unidos.

OPERA MUNDI

domingo, 15 de maio de 2011

Lalaiá-raaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá
Laiá Laiá
Laiá-raaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá
Laiá Laiá
Laiá-raaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá
Quero de novo cantar!!!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tô na lanterna dos afogados.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Como fazer uma dissertação (parte 1):

1 - Não se envolva em situações dramáticas com grande potencial de distração;
2 - Saia de toda e qualquer rede social online;
3 - Verifique se sua auto-estima tem sido atingida por algum de seus orientadores. Se sim, finja que não é com você;
4 - Mantenha seu notebook sobre uma mesa, e não use-o deitada na cama;
5 - Nada de pensamentos amorosos. Definitivamente, isso só atrapalha;
6 - Só beba aditivos alcoólicos em momentos estratégicos: ressaca impede os neurônios de funcionarem corretamente;
7 - Você deveria ter esquecido a militância no semestre passado. Agora não tem mais jeito.
8 - Não se interesse demasiadamente pela leitura dos livros de sua bibliografia, você não pode perder esse tempo;
9 - Praia, sol e cerveja são para pessoas que têm vida. Não é o seu caso.
10 - Pense, sinceramente, que um dia isso tudo acaba.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Tudo passa.
Até a...

Hoje eu dei um passo grandão.

¿Que pasa con la academia?

Aún hoy, con los avances registrados en las ciencias sociales, se observa gran resistencia por parte de los sectores académicos ligados al derecho, para incorporar la perspectiva de género en el análisis teórico y en la implementación de la ley. Las Facultades de derecho están consideradas como los reductos más conservadores de la academia.

La ceguera de género que afecta a muchas de nuestras Facultades de Derecho tiene varios efectos, como la invisibilización de las necesidades y vivencias de las mujeres, la obstaculización de su acceso a la justicia en igualdad de condiciones con los varones, la persistencia de estereotipos sexistas, la denegación de justicia, etc. Pero el más grave es que impide a decisores políticos, legistas y juristas ver la realidad en toda su complejidad.  

Susana Chiariotti

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Como se resolve isso?
Como se resolve?
Qual é a eqüação, qual é a fórmula? Tá no código, na lei?
Qual é a fórmula do esquecimento?

terça-feira, 3 de maio de 2011

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
Ontem e hoje resolvi um monte de coisas importantes.
Mas o principal ainda nem comecei: Dolores. PAM! (pausa dramática).
É, ainda nem comecei a escrever.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Engraçada essa vida.
Cada dia fico mais surpresa.
Com as coisas que acontecem.
E com as que não acontecem.

terça-feira, 26 de abril de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

Descrição de uma comunidade no orkut chamada "Contra a ditadura de gênero":

"Faça então o entender que: os pêlos nas axilas das feministas causam mais horror que um estupro." Molotov.


O que é ser mulher pra você, sacana? É ofuscar dor, redimir pensamentos, fingir orgasmo, converter-se numa cultura machista, rir de piadas infames contra as próprias mulheres, justificar um estupro, não exercer certas atividades, impulsionar teus direitos à teus filhos pela maternidade, unificar o teu cérebro à um ventre, não ter escolhas, sambar ou vestir uma burca?

O QUE É SER MULHER PARA TI? Teu cérebro se limita à um padrão de estética o qual tu é a porra de uma boneca inflável? E tuas unhas, tu as fez hoje? O que é ser mulher para você, PORRA?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Às vezes vou vendo de longe,
fingindo que não vejo.
Deixando em banho-maria,
aproveitando o ensejo.
E, mais complicado seria,
E se fosse possível, faria,
Assumir o que está presente,
Do jeito que deveria.
Sendo que, o que se está vendo
Não é apenas um sendo
É o que, simplesmente,
Parece estar acontecendo
Ou algo que se tem em mente,
mentindo fortemente.
Pode nem ser verdade
Pode ser só a tarde
Depois de um longo dia
Quando o sol já esquentou tanto
Que quase perde o encanto
O muito pouco que havia.
A tarde é poesia.
É avermelhada melodia
Que o céu vai aos poucos tingindo.
Pena que vou fingindo
Que o dia não está caindo
E que não estou vendo
O que, sem nem ser,
já está sendo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

"Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor. Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da Igreja, sendo Ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos” (Efésios 5:22-24)
Hoje acordei
pensando que podia
fazer tudo diferente
do outro dia.

É num instante
que a gente vê
o que a gente sabe
que deve fazer.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Definitivamente, meu nariz é Tropical.
Ele é daqueles que curte praia, sol, mar, calor.
Toda vez que chove desse jeito, ele fica rebelde, mandando várias mensagens de protesto via espirro.
Meu nariz é um militante nato.
Quando o clima muda bruscamente, ele levanta logo as trincheiras e manda bala.
Tem dias também que ele fica todo burguês, só pra me irritar.
Fecha para balanço e exige que eu faça compras pra ele.
Meu cartão de desconto da Pague Menos tá quase estourando de tanto benegripe, vick, vitamina C e coisas genéricas do gênero.
Falando em vitamina C, ela tem esse nome por causa de mim.
Sou a maior consumidora. Tomo café com vitamina "Clarissa" e janto com vitamina "Cecília".
E nessas épocas chuvosas, eu tenho que resistir bravamente pra não me entregar!
Mas aviso logo aos navegantes que já estou desistindo...
Ele decretou estado de sítio e fechou as portas para entrada e saída de ar puro em seu território.
Acabou de cortar a minha rede de comunicação: estou fanha!
Por isso essa mensagem via blogue.
Vou me esconder embaixo dos lençóis, tentarei manter as esperanças de uma terra democrática e pacífica na Pneumolândia.
Anauê (dos indígenas, não dos integralistas)!

Os 15 anos do massacre de Eldorado dos Carajás

"Grande parte dessas famílias [acampadas] veio da era FHC, passou pela era LULA e entrou na era Dilma debaixo da lona preta à espera de uma solução para o conflito". Confira artigo da CPT Marabá sobre os 15 anos do Massacre em Eldorado dos Carajás e as poucas mudanças na região desde então.


A luta contra a impunidade. O caso Eldorado é um exemplo da difícil luta pela justiça em relação aos crimes no campo no Pará. Nem a pressão nacional e internacional, foi suficiente para afastar a impunidade dos executores e mandantes. A instrução processual expôs a contestável atuação da justiça paraense na busca das provas para a condenação dos culpados. O primeiro júri realizado em 2000 terminou com a absolvição dos principais responsáveis pelas mortes, num escandaloso julgamento, presidido pelo então juiz Ronaldo Vale. As repercussões negativas da atuação do juiz, forçou o tribunal de justiça a anular o júri. Em ato contínuo, numa reação nunca vista nos tribunais brasileiros, todos os juízes da capital se negaram a assumir o processo e a presidir o próximo julgamento. A juíza que aceitou presidir o segundo julgamento, foi obrigada a se afastar do processo dias antes da realização do segundo júri, devido ter determinado a retirada do processo de um laudo pericial sobre a fita gravada no dia do massacre. Era a principal prova contra os acusados. Desmoralizada por uma decisão do STJ que determinou a inclusão do laudo, a então juíza abandonou o processo na véspera do Júri.

O segundo júri ocorrido em 2002 foi um festival de absolvições. Apenas os dois comandantes da operação foram condenados. O Coronel Pantoja foi condenado a 228 anos de prisão e o Capitão Oliveira a 158 anos. De 1996 até 2002 foram seis anos de luta para a realização do Júri e de 2002 até 2011, são nove anos em que o processo passou entre o TJ Pará e o STJ para julgamento dos recursos de apelação e recurso especial, interpostos pela defesa dos condenados. Enquanto isso, os dois únicos condenados continuam livres graças a uma decisão do STF em um Habeas Corpus. Não se sabe quantos anos ainda o STF gastará pra julgar os recursos que a defesa poderá ainda interpor. Não há nenhuma previsão de quando os dois condenados iniciarão o cumprimento da pena. É o triunfo da impunidade!

O caso Eldorado expõe a morosidade da justiça paraense - e brasileira - em punir os responsáveis por crimes no campo. São mais de 800 assassinatos no Pará nas últimas quatro décadas, de acordo com os dados da CPT. De todos esses crimes, apenas 18 casos foram a júri resultando na condenação de oito mandantes. Dos oito condenados apenas um, (Vitalmiro Bastos de Moura), encontra-se preso cumprindo pena.

A continuidade dos conflitos. Os conflitos pela pose da terra sempre marcaram a história das regiões sul e sudeste do Pará. O massacre não interrompeu o ciclo de violência contra os trabalhadores. Nesses 15 anos pós-massacre, 459 fazendas foram ocupadas por 75.841 famílias sem-terra em todo o Estado. A reação do latifúndio continuou tão violenta quanto antes, foram 205 assassinatos nesse período, maioria absoluta deles na região sudeste, onde ocorreu o massacre. Na região existem hoje cerca de 130 fazendas ocupadas por, aproximadamente, 25 mil famílias sem-terra, abrangendo uma área superior a um milhão de hectares, à espera de serem assentadas. Grande parte dessas famílias veio da era FHC, passou pela era LULA e entrou na era Dilma debaixo da lona preta à espera de uma solução para o conflito.

O recuo da reforma agrária. As pressões pós-massacre forçaram o governo FHC a intensificar as ações de assentamento de famílias sem-terra na região. Nos seis anos pós-massacre, (1997-2002), foram criados 245 projetos de assentamentos e “assentadas” 38.295 famílias. Uma média de 6.382 famílias assentadas por ano. Já nos últimos 08 anos, o ritmo de assentamentos diminuiu, foram criados apenas 133 assentamentos e “assentadas” apenas 13.185 famílias. Uma média de 1.648 famílias por ano. Nos últimos quatro anos foram criados apenas 18 Projetos de Assentamentos e assentadas 1.575 famílias no sul e sudeste do Pará. Uma média de 393 famílias por ano. Resultado que atesta a total falência das ações de Reforma Agrária na região.

Os novos desafios: A luta contra a impunidade e em defesa da reforma agrária continua sendo bandeira dos Movimentos Sociais que atuam na região. Soma-se a essa bandeira, a luta contra o atual modelo socioeconômico imposto para o campo que, privilegia a expansão do agronegócio e a exploração mineral indiscriminada, com o comprometimento do ecossistema e da biodiversidade, agravando ainda mais a desigualdade social e a desterritorialização dos povos do campo.

(Página da CPT)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Jornalismo na Paraíba

Piada que manipula,
por Elaine Oliveira.

A TV paraibana nunca foi tão ridicularizada. As mortes transmitidas das 12 às 13h, que já eram prato principal dos almoços de muitos paraibanos "vidrados" no correio verdade agora estão do jeito que o jornalismo imprudente sempre sonhou: as pessoas riem da desgraça alheia e a bandidagem ainda vira melô, hit musical...

Pois é, as novas celebridades do jornalismo local não são reconhecidos por seu trabalho sério e competente em informar...não são visto pelo Brasil como repórteres que elevam a Paraíba...são reconhecidos em toda a parte, mas, como o próprio Portal Correio anunciou em 2010, " Agora, toda a Paraíba vai ver e conhecer a força, a alegria e a irreverência de Samuca Duarte e Emerson Machado." É mesmo uma pena que estivessem falando de um programa policial...

Sucesso no you tube, orkut e afins, a "dança do mofi" é unanimidade: agrada tanto aos cidadãos de bens quanto aos bandidos. As crianças, incentivadas até mesmo pelos pais, colocam a camisa na cabeça e com os braços para trás dançam e aumentam a popularidade do jornalismo que todas as tardes ri da falta de consciência de uma população que já acostumada com a impunidade, resolveu aceitar que ela virasse piada.Tratados como "amigos" (já que são a audiencia), os criminosos até gostam das brincadeiras, afinal de contas, nem é assim tão grave o que eles fazem...

Para mim, parecia que já tinham usado e abusado de todas as armas do sensacionalismo, mas mostraram que não: no dia 31 de março o telejornal foi transmitido em pleno Mercado Público de Mangabeira, e é claro, com direito a palco e plateia. A cada notícia de mais uma entrada no Hospital de Emergência e Trauma ou de uma briga em bar que acabava em morte, uma música era tocada pela banda que estava participando do Caravana da Verdade. Lágrimas, perdas e outras tristezas que merecem respeito (seja por quem for), viraram show. Um show desejado e aclamado por muitos telespectadores. Ah, a ideia contraditória e doentia da contratação da banda foi anunciada no próprio Portal Correio, com as seguintes palavras:" A Banda Identidade Baiana realizará um show para animar ainda mais o evento, das 11h às 14h."

Samuka Duarte, Emerson Machado (Mô- fi), Marcos Antonio (O Àguia), Josenildo Gonçalves (O Cancão da Madrugada) e toda a equipe de edição do Correio Verdade conseguem, dia após dia, tornar animadas as refeições de paraibanos que não se importam em almoçar frente às cenas de corpos perfurados e poças de sangue humano. Creio que não conseguem, com a mesma eficácia, tornar menos dolorosa a sina de uma mãe que sente a dor de ter um filho que agora é presidiário, de parentes de uma criança que morreu acidentalmente ou de um pai, que vê seu filho destruído pelas drogas, morto e servindo de audiência para um programa de humor chamado Correio Verdade.

Não sou jornalista. Sou nutricionista, mas antes disso, cidadã. Incomodada com o desprezo explícito à vida humana senti a obrigação de pedir a todos os meus contatos que repensem seus valores de respeito e dignidade à vida sempre que pensem em assistir esse e outros programas que indiquem sinais tão fortes de insulto a nós, telespectadores. Insulto a nossa capacidade e direito de exigir jornalismo de qualidade em palavras e atitudes.

Quanto mais as pessoas se conscientizarem dos "pequenos" males que nos envolvem com graça e alguns risos com gosto de sangue, mais chance teremos de exercer e usufruir daquilo que chamamos de cidadania. Merecemos mais respeito.

Texto de:
Elaine Oliveira
Nutricionista e Personal Diet

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O bom da madrugada é que os pensamentos loucos ecoam pelo silêncio.
Você pensa, sonha, delira.
E ninguém se importa.
Só as paredes.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Por que é que o cão é tão livre?
Porque ele é o mistério vivo que não se indaga.
E quando acaricio a cabeça do meu cão, sei que ele não exige que eu faça sentido ou me explique.

Clarice Lispector

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A partir dos de baixo

Tá sendo MUITÍSSIMO bom o curso de Romero.
Ontem eu quase chorei.
No momento, eu tou usando uns 'óculos de gênero' que me fazem observar esses fenômenos o tempo todo.
Em tudo, eu procuro logo isso.
E é engraçado (na verdade não é engraçado nem um pouco, eu que gosto dessa expressão) porque seja nos de baixo ou seja nos de cima, tudo é marcado pela difereça de gênero. E tanto os de baixo, quanto os de cima, parecem (ou simplesmente o fazem de propósito) não estar nem um pouco atentos a isso.
Parece extremamente estratégico dissociar as lutas que, ao meu ver, deveriam caminhar lado a lado. Mas não é não. Acho que outra estratégia faria mais sentido.

Talvez a gente deva olhar também para as que estão 'ao lado' dos 'de baixo'.

* Na última aula eu botei óculos nele.

?

Dúvidas, dúvidas. A incerteza é minha melhor amiga.
Toda vez é isso.
Tou em dúvida se faço uma coisa, ou faço outra.
Duvido que um dia eu vá estar plena mente certa de alguma coisa.

Duvido, duvidando,
Da dúvida que duvida
E, de tanto duvidar,
Vou ficando
Em dúvida, toda a vida.

quinta-feira, 24 de março de 2011

É isso, enfim.

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em ti é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente impessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim

terça-feira, 22 de março de 2011

Apartamento de transexual brasileira é incendiado em Roma

O apartamento de uma transexual brasileira foi incendiado na manhã desta terça-feira (22/03) em Roma, de acordo com fontes locais. A brasileira, de 43 anos, estava dormindo no local quando o fogo começou. Os vizinhos perceberam o incêndio e chamaram a polícia.

O apartamento fica na região Tomba di Nerone, na capital italiana. A polícia não encontrou vestígios de líquido inflamável no local, e não excluiu a hipótese do acidente ter sido causado por descuido da própria brasileira, pois a porta da casa estava trancada e não havia sinais de arrombamento.

"Alguém incendiou minha casa porque eu era amiga de Brenda", disse a brasileira, referindo-se a outra transexual brasileira que foi morta em 2009, depois de seu nome aparecer em um escândalo envolvendo um político italiano.

Os restos mortais de Brenda foram achados carbonizados em seu apartamento em novembro de 2009, semanas após a divulgação de um vídeo em que o então governador do Lazio, Piero Marrazzo, aparecia na companhia de travestis.

Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, 21 de março de 2011

Tudo reflete naquela coisa de querer ser ouvido.
Todo mundo anseia pelo momento da fala. É algo quase que mecânico querer falar, falar e falar mais.
Essa história toda de twitter, blog e coisas internauticamente sociais... A gente quer no fundo é ser ouvido.

Engraçado... "ser ouvido" implica necessariamente no ato de falar.
A expressão devia mesmo era "ser boca".

O bom de ter um blog é poder escrever essas besteiras e, não necessariamente, "ser olhada".

sábado, 19 de março de 2011

Assédio no trabalho: de quem é a culpa?

Maria Berenice Dias

Ora, nem é preciso perguntar de quem é a culpa pelo assédio no trabalho. A resposta é tão óbvia! Claro que a culpa é da mulher.

Alguém duvida disso? Sempre que é feita alguma denúncia de assédio, a pergunta que não quer calar é: qual o cumprimento de sua saia? O tamanho de seu decote? O que estava fazendo àquela hora sozinha no local de trabalho? E,diante da assertiva de que o assédio persiste há algum tempo, a pergunta é: porque não denunciou antes?

Todos estes questionamentos nada mais são do que tentativas dedesculpar o agressor e impor à vítima a responsabilidade pelo ocorrido. Afinal, é necessário averiguar se a mulher não se afastou do padrão de comportamento que a sociedade sempre lhe impôs.

Não se pode olvidar que em nossa sociedade patriarcal, a mulher nunca desempenhou nenhum papel, tinha uma posição subalterna, de submissão, restrita à esfera doméstica e exercendo atividades que nunca foram valoradas. A ela restava o reduto doméstico, com a única função de criar os filhos, enquanto o espaço público era reservado aos homens. A mulher casada tinha sua capacidade reduzida, sendo desprovida do direito de autodeterminar-se. Considerada propriedade do marido, devia a ele submissão e respeito.

Estava sujeita a uma verdadeira servidão sexual. Sempre foi vedada à mulher qualquer manifestação de prazer sexual, prerrogativa só garantia ao homem tanto fora quanto antes do casamento. Com relação ao chamado sexo frágil sempre se associou honestidade a recato, isto é, uma postura assexuada. Daí o tabu da
virgindade, quase como um selo de garantia de sua castidade, tudo isto para dar certeza ao homem da legitimidade da sua prole. A única notícia da atividade sexual feminina sempre foi a gravidez dentro do casamento.

A preservação da virgindade, como símbolo de castidade e honradez, era atributo indispensável para o casamento. Assim, os contatos sexuais, ainda que consentidos, quando descobertos pelos pais, eram denunciados como tendo ocorrido mediante violência, contra a vontade da vítima, como delitos sexuais, com a finalidade de resgatar a reputação da família.

Por tal, nos processos decorrentes dos crimes contra os costumes (como são chamados os crimes contra a liberdade sexual), questiona-se a palavra da vítima, cuja credibilidade resta comprometida. Daí sempre ter sido desacreditada a palavra da mulher. É mais difícil aceitar sua versão, valendo muito mais o depoimento do homem.

As lutas emancipatórias, o surgimento dos métodos contraceptivos, o ingresso da mulher no mercado de trabalho, ainda que tenham trazido melhorias na condição feminina, não alteraram a hierarquização do poder. Na atividade profissional permanece esta posição hierarquizada, verticalizada. Os cargos de mando ainda estão na mão dos homens e as mulheres levaram para a esfera pública o sentimento de servilismo.

Por isso, diante da prática de assédio, a necessidade de manter o emprego, a humilhação e o constrangimento levam as mulheres a se calarem e não referir o ocorrido sequer no âmbito familiar, por vergonha de contar o que aconteceu.

A dificuldade de denunciar, de ir atrás da Justiça decorre de um componente de ordem histórica e cultural. Em face da sacralização do conceito de família com sua feição patriarcal, permanece nítida a hierarquização entre o homem e a mulher.

Com a evolução da sociedade, veio a Constituição Federal decantar os novos direitos assegurados à mulher, que passaram a ter visibilidade e a ser considerados como direitos humanos. A mulher adquiriu a liberdade de escolher seus parceiros e de decidir sobre seu corpo.

O aumento da participação da mulher no espaço público deveria colocá-la em condições de igualdade, não refletindo no âmbito do trabalho as diferenças dos papéis existentes na sociedade. Descabe persistir qualquer resquício de submissão que envolva questão de poder. Porém, como os homens ainda predominam nas chefias das empresas públicas e privadas, passaram eles a usar uma nova maneira de obter favores femininos: a ameaça da demissão, da nãoascensão profissional.

Como o assunto ainda é tabu, as mulheres calam por medo de não serem acreditadas. Além da dificuldade de denunciar, é também difícil comprovar. É um homem frente a uma mulher, um superior ante um subalterno, a palavra de um contra a de outro. Ao depois, existe um grave preconceito de que houve provocação por parte da vítima, acabando-se por investigar o comportamento da denunciante.

Confunde-se liberdade sexual com a eliminação do direito de escolha. Não se atenta em que as mulheres, por serem livres, não são disponíveis para todos.

O certo é que as mulheres se calam por falta de mecanismos e espaço social que empreste credibilidade às suas palavras. É mister que o conceito de honestidade feminina não mais seja vinculado à sua atividade sexual e que se passe a acreditar que, quando ela denuncia, é porque foi vítima.

Assim, indispensável que haja a adoção de políticas de orientação e prevenção ao assédio moral e sexual, como forma de inibir os comportamentos indevidos. É importante que os departamentos de recursos humanos das empresas e órgãos públicos sejam capacitados para servir como consultores e orientadores, a
estimular a denúncia de fatos que podem caracterizar qualquer espécie de constrangimento ou aproximação indesejada.

Por enquanto, os únicos culpados são o medo e o silêncio.

Texto disponível em: www.mariaberenice.com.br

quarta-feira, 16 de março de 2011

Solidariedade à luta “Contra o aumento da tarifa de ônibus” e repúdio à criminalização do movimento promovida pelos empresários do transporte coletivo em João Pessoa-PB

Desde o final de dezembro de 2010 as mobilizações contra o aumento no preço da passagem e má qualidade dos serviços de transporte coletivo ocorrem, pressionando nas ruas os governos por um modelo de mobilidade urbana que atenda às necessidades dos trabalhadores brasileiros.

A organização e mobilização popular é necessária para que qualquer transformação possa ocorrer no país e esse é o papel que cumprem os movimentos sociais: cobrar e pressionar por melhorias nas condições de vida da população! Porém, este não é o interesse dos ricos e das classes dominantes.

O militante do DCE UFPB, Enver José Lopes Cabral, está sendo intimado e será processado, a pedido dos empresários dos transportes e do Ministério Público da Paraíba, por participar das manifestações. Este fato caracteriza a clara perseguição que os militantes sociais sofrem por lutar em defesa dos interesses da população. E o que causa mais espanto é que o Ministério Público (MP) se posiciona e atua como os empresários do transporte!

No dia 12 de janeiro, 5ª mobilização realizada em João Pessoa, os donos das empresas de transporte da Capital, horrorizados com a força dos estudantes nas ruas, resolveram declaradamente agredir e criminalizar os militantes sociais. Contrataram cerca de 30 capangas armados (vestidos de motoristas) e em comum acordo com a “direção” do sindicato dos motoristas de ônibus, assediaram moralmente cobradores e motoristas com advertências nas empresas, forçando-os a irem às ruas para defenderem os patrões. Os capangas junto com a “direção” do sindicato foram em nosso Ato Público e partiram para agressão na tentativa de intimidar o movimento. Agora, após mais de um mês da manifestação, o militante do DCE UFPB é intimado pela polícia para responder por agressão.

Toda a população de João Pessoa acompanhou o movimento pacífico que fizemos e estamos fazendo, desde 29 de dezembro. Não vamos nos calar diante dessa injustiça e declarada perseguição aos movimentos sociais que buscam uma transformação no país! Pedimos a solidariedade de todos os militantes, entidades e organizações sociais que assim como nós, estão na luta por um Brasil dos trabalhadores e trabalhadoras!

JUVENTUDE QUE OUSA LUTAR: CONSTRÓI O PODER POPULAR!

DCE UFPB

segunda-feira, 14 de março de 2011

Os dias vão passando e as coisas vão acontecendo.
É tanta coisa que a gente fica todo coisado.
Tou coisada hoje.
De tanta coisa coisando fiquei paralisada pensando, pensando, tentando pensar.
Mas fiquei sem tempo pra pensar o suficiente porque mais coisas aconteceram.
E eu tive que coisear mais.
No fim das contas, no passar dos dias,
Eu queria ter mais tempo pra pensar e menos coisa pra coisar.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Fazendo uma super faxina...
Mas dessa vez é na minha cabecinha.
Tirando algumas coisas empoeiradas, e colocando móveis novos.
Pintando as paredes de amarelo, azul, verde, rosa, roxo.
Fazer o quê, né.
As vezes é preciso mesmo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O silêncio em Foucault

Trecho de uma entrevista realizada em 1982 com Michel Foucault, onde ele defende a valorização desse elemento esquecido pela tradição ocidental.


Pergunta - A apreciação do silêncio é uma das numerosas coisas que um leitor, sem que se espere, pode
aprender de sua obra. Você tem escrito sobre a liberdade que o silêncio permite, sobre suas múltiplas causase significações. Em seu último livro1, por exemplo, você diz que não existe apenas um, mas numerosossilêncios. Seria fundado pensar que há ai um potente elemento autobiográfico?

Foucault - Penso que qualquer criança que tenha sido educada em um meio católico justamente antes ou durante a Segunda Guerra Mundial pôde experimentar que existem numerosas maneiras diferentes de falar e também numerosas formas de silêncio. Certos silêncios podem implicar em uma hostilidade virulenta; outros, por outro lado, são indicativos de uma amizade profunda, de uma admiração emocionada, de um amor. Eu
lembro muito bem que quando eu encontrei o cineasta Daniel Schmid, vindo me visitar, não sei mais com que propósito, ele e eu descobrimos, ao fim de alguns minutos, que nós não tínhamos verdadeiramente nada a nos dizer. Desta forma, ficamos juntos desde as três horas da tarde até meia noite. Bebemos, fumamos haxixe, jantamos. Eu não creio que tenhamos falado mais do que vinte minutos durante essas dez horas. Este foi o ponto de partida de uma amizade bastante longa. Era, para mim, a primeira vez que uma amizade
nascia de uma relação estritamente silenciosa.
É possível que um outro elemento desta apreciação do silêncio tenha a ver com a obrigação de falar. Eu passei minha infância em um meio pequeno-burguês da França provincial, e a obrigação de falar, de conversar com os visitantes era, para mim, ao mesmo tempo algo muito estranho e muito entediante. Eu me lembro de perguntar por que as pessoas sentiam a obrigação de falar. O silêncio pode ser uma forma de relação muito mais interessante.

Pergunta - Há, na cultura dos índios da América do Norte, uma apreciação do silêncio bem maior do que nas sociedades anglofônicas ou, suponho, francofônica.

Foucault - Sim. Eu penso que o silêncio é uma das coisas às quais, infelizmente, nossa sociedade renunciou. Não temos uma cultura do silêncio, assim como não temos uma cultura do suicídio. Os japoneses têm. Ensinava-se aos jovens romanos e aos jovens gregos a adotarem diversos modos de silêncio, em função das pessoas com as quais eles se encontrassem. O silêncio, na época, configurava um modo bem particular de relação com os outros. O silêncio é, penso, algo que merece ser cultivado. Sou favorável que se desenvolva esse êthos do silêncio.

"Michel Foucault. An Interview with Stephen Riggins", ("Une interview de Michel Foucault par Stephen Riggins) realizada em inglês em Toronto, 22 de jun de 1982. Traduzido a partir de FOUCAULT, Michel. Dits et écrits. Paris: Gallimard, 1994, Vol. IV, pp. 525-538 por wanderson flor do nascimento.

terça-feira, 8 de março de 2011

Coração Selvagem - Belchior

Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção
Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão
Eu quero um gole de cerveja no seu copo no seu colo e nesse bar

Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja
Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo tenho pressa de viver

Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar
Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar
Tempo para ouvir o rádio no carro
Tempo para a turma do outro bairro, ver e saber que eu te amo

Meu bem, o mundo inteiro está naquela estrada ali em frente
Tome um refrigerante, coma um cachorro-quente
Sim, já é outra viagem e o meu coração selvagem
Tem essa pressa de viver

Meu bem, mas quando a vida nos violentar
Pediremos ao bom Deus que nos ajude
Falaremos para a vida: "Vida, pisa devagar, meu coração, cuidado é frágil;
Meu coração é como vidro, como um beijo de novela"

Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão
O meu som, e a minha fúria e essa pressa de viver
E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza
E arriscar tudo de novo com paixão
Andar caminho errado pela simples alegria de ser

Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo , vem morrer comigo
Talvez eu morra jovem, alguma curva no caminho, algum punhal de amor traído, completara o meu destino.

Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo
Vem morrer comigo, meu bem, meu bem, meu bem
Que outros cantores chamam baby

Discriminação contra as mulheres continua alta no jornalismo

A mulher se incorporou ao trabalho de jornalista nos últimos 20 anos em muitos países, mas ocupa os cargos mais baixos, enquanto os de direção seguem sendo terreno exclusivo dos homens, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (07/03) pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Essa ausência de mulheres nos postos mais altos provoca uma visão determinada na imprensa, "um mundo ainda amplamente masculino onde as mulheres estão excluídas", assinalou a organização no relatório elaborado por ocasião do Dia Internacional da Mulher, celebrado na terça-feira.

Neste sentido, o estudo revela uma pesquisa de 2006 que estabelecia que as mulheres representassem menos de 20% das pessoas citadas nos artigos, ao tempo que assinalava que a imagem delas era "padronizada e desvalorizada".

Em outros lugares a situação é ainda pior, ressalta a organização defensora da liberdade de imprensa, que indica que as mulheres são "alvo preferido" de ataques, violências e encarceramentos ligados à profissão de jornalista.

O relatório denuncia os "grandes riscos" em alguns países para os jornalistas que se interessam pelos problemas das mulheres e a violência que sofrem em razão das tradições.

Em outros países, como o Afeganistão, "a segregação das mulheres jornalistas corresponde à das mulheres em geral", que "não encontram um lugar" na sociedade.

O estudo também revela alguns casos de jornalistas que, graças a algum engajamento, conseguiram avanços na situação da mulher, em algumas ocasiões, a custo de sua própria liberdade.

Em outros casos, segundo o relatório, a condição de mulher facilita o trabalho de alguns jornalistas, como relata a cubana Magali Norvis Otero Suárez, que afirma que "não batem nas mulheres nas manifestações quando vão cobri-las".

O estudo também presta homenagem às "mulheres de jornalistas e defensores dos direitos humanos assassinados ou presos" que, em algumas ocasiões, “se casaram com um homem e com sua causa".

Como exemplo, cita as "Damas de Branco" de Cuba, o coletivo de mães e esposas de dissidentes presos desde 2003 que se reúnem todo domingo para reivindicar sua libertação.

Todos estes casos obrigam muitos jornalistas a exilar-se de seus países, como revela que entre 10% e 15% das ajudas emitidas pelo RSF para litigantes de asilo procedem de mulheres, a maior parte delas iranianas.

A organização recomenda que se iniciem programas específicos de proteção de mulheres jornalistas e incentiva o reforço de cooperação entre organizações defensoras dos direitos das mulheres e da liberdade de expressão.

Além disso, pede a criação de "Casas de Mulheres Jornalistas", que se apoie na criação de organismos de formação dedicados a elas com associações de reagrupamento de repórteres.

Opera Mundi